quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Inspiração ou cópia uma reflexão sobre os desfiles e a moda brasileira.

Givenchy, Marc Jacobs, Louis Vuitton. Vi tudo isso ontem nas passarelas. Mas eu não estava em Paris, não. Estava na São Paulo Fashion Week, a principal semana de moda brasileira. Os estilistas internacionais estavam na forma de referências, inspirações, cópias. Mas porque raios copiamos o que já foi feito em vez de criar? Ah, a globalização! Sim há tendências que por vezes e viram febre, como aconteceu recentemente com a azulejaria. Mas há estéticas, propostas e tecidos que são lançados por uma grife e adaptados por outros estilistas quase que literalmente. Saí dos desfiles me perguntando se a culpa, em parte, não é nossa. Exaltamos o que é de fora: viajamos e pagamos caro na bolsa de grife, mas dizemos que a daqui, mesmo que de qualidade similar (e às vezes superior) não vale o preço. Estilistas mais autorais, que trazem frescor às passarelas com suas criações, normalmente ganham mais com negócios paralelos, como parcerias com lojas de decoração, cama, mesa e banho, do que com a venda de suas roupas. Sem contar que quanto menor a produção e mais artesanal, mais cara. Eis um nó difícil de desenrolar... E aí vemos nas passarelas propostas que já foram validadas e tiveram uma boa aceitação lá fora customizadas por parte de estilistas e marcas nacionais. Não será uma estratégia de sobrevivência quando as marcas nacionais tentam se equilibrar mediante a competição cada vez mais acirrada com marcas globais? Impostos e encargos trabalhistas muito além dos praticados na maior parte do mundo, falta de tecidos nacionais (a maior parte de nossas tecelagens antigas fechou) oneram nossas roupas e fazem com que muitas grifes busquem, em vez da inovação, o porto seguro.

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